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Os Provedores Ganharam Um Grande Negócio E Não Perceberam. Ainda.

por Rubens Mazzali *

“O que a lagarta chama de fim de mundo, o sábio chama de borboleta” - Richard Bach

Quando comecei a organizar as idéias para escrever este artigo, logo me recordei dessa frase que Richard Bach, utilizou em seu livro “Ilusões”. Dependendo do ponto de vista, a metamorfose pode ser vista como uma catástrofe ou como um “ganho de belas asas”. É interessante como o ponto de vista catastrófico é sempre o de quem está dentro do casulo. O desespero da lagarta ao sentir as transformações em seu corpo só existe porque ela não sabe que poderá voar dentro de alguns dias….

Nessas últimas semanas tenho acompanhado a concretização do acesso gratuito que já era especulado há meses. Vejo as reações dos provedores em defesa de seus direitos com argumentos inconsistentes e que beiram o limite do ridículo. A alegação que mais me fez rir foi a que investiram muito. Acredito. Mas também acredito que os fabricantes de carroças também investiram muito antes da chegada do automóvel. Noto que tais argumentos infundados são fruto de puro desespero que acaba ofuscando a visão desses empresários. A turbulência age como um filtro que só os deixa enxergarem o lado ruim do fato. Talvez seja porque estão dentro do casulo, como a lagarta.

Sempre imaginei que o estopim ia ser aceso por um grande provedor já sustentado por uma massa de assinantes suficientemente grande para garantir receitas publicitárias. Mas não foi assim que ocorreu. Foi um grande banco que riscou o fósforo. Depois outras grandes empresas e depois empresas criadas exclusivamente para isso. Pela visão de quem está fora do casulo, acho que os provedores deveriam dar graças aos céus pelo caminho ter sido esse. Como foram grandes empresas que tomaram a dianteira, abriram-se oportunidades aos provedores e, principalmente aos pequenos.

Se uma grande empresa qualquer irá dar acesso gratuito a seus clientes, terá um custo para isso, seja para adaptar sua estrutura, seja para criar uma nova. Claro que esse custo diluído na grande massa de varejo focada por tais empresas passa a ter um valor insignificante e suficientemente coberto pelas verbas de brindes e cortesias. Em outras palavras, ao invés de darem um calendário, uma caneta ou uma agenda aos seus clientes, dão acesso Internet. Os fabricantes de canetas e agendas ficam felizes com essa política de brindes, os provedores desesperam-se….engraçado isso. Vão alegar que na Internet é diferente pois, por exemplo, o Bradesco tem uma estrutura montada para prover o acesso e não contratará terceiros. Entendo, mas o banco utilizado como exemplo por ter sido o primeiro a dar acesso gratuito, também foi o primeiro a ter gráfica própria e fabricar suas próprias agendas.

O que tento dizer é que, no fundo, estão lançando moda a ser copiada. Só que nem todas as empresas tem a mesma estrutura. Nem todas tem gráficas próprias, nem todas tem estrutura para prover acesso. Como ficam as outras? Se um hipermercado de abrangência nacional resolver dar acesso a seus clientes, o que fará o supermercado regional ou local que não tem estrutura técnica para poder competir em igualdade? Deverá obviamente contratar os serviços de um provedor local para repassar gratuitamente aos seus clientes. Mais ou menos como comprar uma agenda de uma gráfica ao invés de produzi-la na gráfica própria. Na maioria dos casos isso é mais barato para quem compra a agenda, um excelente negócio para quem a vende e, lá na ponta continua sendo gratuita ao ganhador do brinde.

Se os provedores, principalmente os menores, focarem o mercado corporativo e perceberem que são fabricantes de agendas, canetas e chaveiros do mundo virtual, certamente começarão a enxergar borboletas e, quem sabe, poderão voar….

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