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Uma Análise Do Mercado De Trabalho

por Giulianno Bresciani

Percebemos que a humanidade está passando por um momento histórico. Após a mudança da produção rural e artesanal pela produção industrial, enfrentamos um novo desafio onde o conhecimento e a tecnologia vem substituindo a mão-de-obra nas indústrias em uma velocidade cada vez maior e intensa. No entanto, como ocorreu na passagem da sociedade rural para a industrial houve uma mudança do trabalho e não o seu fim. E ainda, que a produção rural não acabou, e sim, modernizou-se através do uso de novas técnicas e tecnologias.

Sendo assim, o que podemos dizer desse momento conturbado, onde as mudanças são um imperativo no setor industrial, principalmente no que tange a redução de pessoal? Como ficarão os trabalhadores? Qual será o futuro da sociedade e da produção? Como ficará o Brasil?

Como podemos ver, o momento não é fácil, o setor industrial que era o grande empregador das últimas décadas vem passando por um enxugamento de pessoal, mesmo com o aumento da produção, do consumo e das inovações. Isso se deve principalmente ao aumento da tecnologia e conhecimento empregado, suprindo assim a necessidade quantitativa de mão-de-obra. Percebemos assim um processo análogo ao anterior (rural). Onde percebemos que a saída, ou melhor, as oportunidades estão no terceiro setor e nos serviços, consequentemente na informação e conhecimento.

Entretanto, o problema da mão-de-obra (literalmente) é grande e assustador, não há mais espaço para pessoas sem instrução voltadas para a produção ou produto. Hoje as pessoas precisam ter uma nova visão, devem ser orientadas para o cliente e suas necessidades, principalmente com o crescimento da globalização que aumenta a competição e consecutivamente exige uma maior qualidade e menor custos.

Vale ainda ressaltar que a tecnologia chegou a tal ponto que está disponível a todos e o verdadeiro diferencial será a capacitação pessoal como diferencial competitivo futuro e durador. Nesse “novo mercado” só indivíduos criativos, inovadores e empreendedores terão sucesso. Eles precisam de desafios como fator motivacional e buscam cada vez mais uma melhor qualidade de vida. O trabalho deixa de ser somente individual e racional e passa a ser grupal, emotivo. As empresas hoje, segundo De Masi(1999:34), procuram o gênio, aquele que tem uma fantasia máxima e uma concretude máxima. Mas o gênio é raro.

No entanto, quando falamos de Brasil tudo fica um pouco mais complicado devido ao seu baixo nível educacional, e também, pelo seu formato nos moldes antigos. Precisando passar por uma grande transformação. Como cita Chiavenato (1999:86) “O desemprego em nosso país está sendo provocado menos pelo avanço tecnológico e muito mais pelo atraso educacional”. E assim, o futuro do emprego passará pela melhoria da educação geral.

As empresas modernas buscam cada vez mais pessoas capacitadas com uma nova mentalidade empreendedora e inovadora, pessoas não só com conhecimento, mas com uma cultura compatível com a da empresa e do novo mercado. Essas empresas são cada vez mais orgânicas, ou seja, possuem um menor nível hierárquico, uma maior descentralização, um empoderamento das pessoas, os cargos são mutáveis (em um ambiente cada vez mais mutável). Há um maior trabalho de equipes multifuncionais e grande integração e parcerias com cliente e fornecedores.

Com isso, recrutamentos, seleções e treinamentos estão cada vez mais complexos, e apesar da enorme quantidade de pessoas desempregadas o que se percebe é uma falta de empregabilidade geral.

Para haver uma equalização da demanda e da oferta fica necessária a mudança de vários pontos como:

Uma educação maior e empreendedora. (fim do emprego eterno e sim mais trabalho, prestação de serviços).
Maior treinamento para os empregados. (treinamento é investimento e não custos).
Uma visão de aprendizado contínuo.(investido tanto pelas empresas quanto pelos indivíduos).
Foco no cliente e em seus desejos e necessidades.(uma visão de dentro para fora)
Empresa que aprende.(encorajar idéias e criatividade e aprender com os erros)

Podemos concluir que o mercado está em um processo de mudança –mas fica claro que o capital intelectual é a verdadeira e única vantagem competitiva no momento que pode suprir essa falta de qualificação generalizada e não a falta de emprego e trabalho tão alardeada.